Mesmo não sendo o objetivo primário deste boletim, me vi “obrigado” a escrever sobre isso. Li uma reportagem sobre casos de violência de gênero nos esportes e (re)lembrei de alguns fatos realmente deploráveis.
Uma das passagens trazidas à baila envolve o ex-goleiro Bruno, condenado por matar a mãe de seu filho, Eliza Samudio. No ano de 2010 – antes do assassinato – o ex-atleta respondeu a uma pergunta em coletiva de imprensa com uma indagação: “Afinal, quem é que nunca saiu na mão com uma mulher?”. O cenário – escabroso por si só – foi acompanhado por risadas em uníssono, de todos os presentes.
Quando eu li, além do óbvio e automático repúdio e raiva, lembrei-me de que os sinais de violência estão nos detalhes. Isso é estatístico. Aliás, sobre isso, é preciso refletir e informar.
É que, de acordo com institutos especializados em violência contra a mulher, há um “perfil” da escalada da violência, também chamado de “Ciclo de Violência”.
Em primeiro lugar, temos o (i) Aumento de Tensão, quando o agressor se irrita com coisas insignificantes, tendo explosões raivosas e com humilhações à vítima e ameaças. Infelizmente, a tendência é haver contemporização, silêncio e autoengano. Apesar disso, nutre-se o medo, ansiedade, angústia, tristeza e desespero silencioso.
Há uma escalada e surge a fase do (ii) Ato de Violência. Aqui, a agressão física se destaca, juntamente com a verbal. Evidencia-se, com clareza, os ataques morais, psicológicos, patrimoniais, físicos, entre outros. Aqui, já não há mais como a vítima se enganar. A mulher, porém, se vê em um cenário de aprisionamento, paralisia e impossibilidade de reação. O dano psicológico (no mínimo) é absolutamente sensível.
Pouco depois, o agressor adota o (iii) arrependimento, também chamado de “lua de mel”. Dá a falsa esperança à vítima de que aquele comportamento foi um erro, algo isolado, para o qual “ela também teria contribuído”. Promete que aquilo nunca vai acontecer. Até que tudo se repete. É um ciclo. Não vai mudar. Nunca é um ato isolado.
Talvez tenha faltado atenção e repúdio nos “detalhes” do goleiro Bruno. Não deixemos que isso se repita!
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